Copa do Mundo 2026 vai ter caçadores de drones protegendo os estádios

O Departamento de Segurança Interna dos EUA contratou a Fortem Technologies para proteger as 11 sedes americanas da Copa do Mundo 2026 com o sistema DroneHunter, que captura drones em pleno voo usando redes.

Lucas Buzzo 5 min de leitura
Copa do Mundo 2026 vai ter caçadores de drones protegendo os estádios

A Copa do Mundo de 2026 vai ser a maior da história do futebol: 48 seleções, 16 cidades-sede espalhadas por Estados Unidos, México e Canadá, e mais de um milhão de visitantes internacionais esperados só para as partidas em território americano. É um evento de escala difícil de imaginar — e de proteger.

Num mundo onde um drone de consumo custa menos de mil reais e pode sobrevoar qualquer lugar, a segurança de eventos de massa deixou de ser apenas uma questão de câmeras, cercas e agentes no perímetro. Os céus também precisam ser monitorados. E foi exatamente isso que o DHS (Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos) decidiu resolver antes da Copa começar.

Em 12 de fevereiro de 2026, foi anunciado que a Fortem Technologies recebeu um contrato multimilionário para proteger as onze sedes americanas do torneio com seu sistema DroneHunter. A empresa é, atualmente, a única companhia americana autorizada a operar soluções cinéticas de interceptação drone-a-drone em território nacional.

O que é o DroneHunter

O nome diz tudo: é um drone projetado para caçar outros drones. Mas a forma como ele faz isso é o que torna o sistema especialmente interessante — e eficaz.

Em vez de abater o invasor com tiros ou explosivos — o que criaria riscos de destroços caindo sobre o público —, o DroneHunter F700 captura o alvo intacto usando redes de captura rápida (os chamados NetGuns™). O sistema dispara uma rede que se expande rapidamente ao redor do drone invasor, envolvendo-o, e então o reboca para uma área segura.

A vantagem é dupla: elimina a ameaça sem criar novas — sem fragmentos, sem explosões, sem interferência eletromagnética em comunicações próximas. E o drone capturado chega intacto para análise, o que pode ser valioso do ponto de vista investigativo.

O F700 é completamente autônomo na execução. Quando um alvo é detectado, ele decola do hangar, posiciona-se para a interceptação, calcula o disparo e efetua a captura — tudo sem intervenção humana na operação. Um operador humano continua no loop de tomada de decisão para autorizar o engajamento, mas a execução é do sistema.

O histórico é impressionante: mais de 4.500 capturas confirmadas em campo, com taxa de sucesso de 85%. Os 15% que escapam do primeiro disparo geralmente enfrentam um segundo — porque o sistema carrega múltiplas cargas.

Como o sistema completo funciona

O DroneHunter não opera sozinho. Ele é parte de uma arquitetura maior que inclui três componentes integrados:

  • TrueView R30 — radares que detectam e rastreiam drones invasores no espaço aéreo controlado, distinguindo-os de pássaros, aeronaves autorizadas e outros objetos.
  • SkyDome — plataforma de comando e controle que centraliza os dados dos radares, acompanha todas as ameaças em tempo real e coordena a resposta de forma autônoma.
  • DroneHunter F700 — o interceptador, acionado automaticamente pela plataforma quando uma ameaça é confirmada.

Vale lembrar que o DHS já havia anunciado um investimento de US$ 115 milhões em tecnologias anti-drone para proteger as sedes da Copa e os eventos da América250, a celebração do 250º aniversário dos Estados Unidos, que ocorre no mesmo ano.

Por que isso importa

Não é de se surpreender que a Copa do Mundo tenha se tornado um dos maiores desafios de segurança de espaço aéreo da história recente. Em 2022, no Catar, já havia preocupação com drones próximos aos estádios — e a própria Fortem foi implantada lá, numa das primeiras operações de segurança antidrone em grande escala para um evento esportivo. A tecnologia evoluiu desde então, e o modelo DroneHunter 5.0, com capacidade anti-enxame aprimorada, começou a ser entregue em janeiro de 2026.

O problema com drones em eventos de massa é que eles podem ser usados de formas muito diferentes: desde jornalistas não credenciados tentando capturar imagens, até ativistas políticos, gambiarra de transmissão pirata, e — no pior dos cenários — ameaças reais de segurança.

Cada uma dessas situações exige uma resposta proporcional. O DroneHunter foi projetado justamente para isso: neutralizar sem destruir, capturar sem causar danos colaterais.

O que esperar nos estádios

Para quem vai assistir à Copa do Mundo 2026 nos Estados Unidos, a presença do sistema será invisível na maior parte do tempo. Os radares e os DroneHunters ficam posicionados ao redor das sedes, fora do campo de visão do público.

Mas se um drone não autorizado entrar no espaço aéreo controlado, a resposta vai ser rápida. Segundo a Fortem, a sequência de detecção, avaliação e interceptação pode ser completada em questão de segundos, antes que uma aeronave invasora chegue perto o suficiente para causar qualquer problema.

Cada vez mais, a segurança de grandes eventos vai incluir essa camada invisível — o controle do espaço aéreo de baixa altitude. A Copa do Mundo de 2026 vai ser uma das maiores demonstrações públicas dessa tecnologia já vistas. E dependendo de como correr, pode redefinir o padrão para todos os megaeventos que vierem depois.


Fontes: DroneLife | Breaking Defense | Business Wire

Artigos relacionados